Seria de esperar que quando chegasse, ficasse feliz mas a vontade de chorar abraçou-me de uma tal maneira que tudo o que eu precisava ouvir era a tua voz. Sentada na cama, escrevo mensagens enormes a explicar-te tudo, uma vez mais, para que tu compreendas que tudo o que disseste na noite anterior me afectou. Adormeci e ao acordar, lá estava mais uma mensagem tua, repleta de "caras tristes", a explicar-me o porquê de tudo aquilo. Eu tentei explicar, mais do que uma vez. Inclusive, fui sozinha só para te explicar as coisas tal e qual como tinham acontecido. Mas tu não querias ouvir, e das vezes de quando falo os teus olhos são como fulminantes atingindo a minha cara, desta vez não foi assim. O teu olhar era mortiço e tu miravas uma só coisa: o chão. Agora sei que o esforço que fizeste para centrares o olhar no chão, à medida que falava, foi enorme mas que com muito esforço o tiveste que fazer para me mostrares o teu desagrado. Tal não necessitava de ser mostrado, visto que a 15 minutos do tão esperado momento, estavas a chorar ao pé de mim, a pedir que fosse sincera contigo e a dizeres que tudo não passava de uma mentira, já que não te contava tudo. E eu, sempre ao pé de ti, refutava cada palavra que dizias, explicando-a sempre com a melhor razão, para que tu percebesses como as coisas, realmente, tinham sido e se tinham passado. Mas tu não querias ouvir. As mensagens que enviávamos um ao outro, eram recheadas de explicações e pedidos de desculpa e as coisas lá acalmaram. Mas a partir daquela chamada, tudo foi abaixo. Já não interessava nada do que dizia e só tu falavas. Só tu tinhas o poder da razão e de me dizeres, vezes e vezes sem conta, o quanto eu estava errada. Tentei explicar, tentei fazer-te perceber o quão ingénuo às vezes podes ser e a capacidade que tens em confiar nas pessoas, mesmo que estas por trás te apunhalem pelas costas. Tu mesmo assim não quiseste saber, mesmo assim fui a única desviada do grupo, que em vez de sorrisos e brincadeiras, trocou tudo por uma cara triste e um olhar pensativo. Mas no meio de tudo, existiram pessoas que se interessaram, as pessoas que realmente importavam, as pessoas em quem tens medo de confiar por um dia te terem traído a confiança, mas foram elas, tuas amigas também, que se chegaram à frente e ofereceram ajuda, que perguntaram o que se passava e do que é que eu precisava. E tudo o que respondia era que precisava de estar bem contigo, só assim me conseguia manter forte, só isso me acalmava. Do teu lado, como mais tarde vim a saber pela tua boca, também tiveste uma pessoa assim, que te abraçou e que te pediu para parares de chorar, que tudo ia ficar bem e que ela não te iria abandonar. Vale a pena ter amigos como esses.
Fui dormir. Já nada fazia sentido passada aquela noite, aquela tarde. Só pensava no que estarias a fazer, ao mesmo tempo que colocava os óculos e adormecia em frente ao lume.
Passado o sono, tudo ficou bem. 3 horas passadas e uma mensagem tua a querer resolver tudo. Aliás, apesar de tudo, a troca de mensagens não acabou, tirando o tempo que ambos dormimos. Com conversas, mais uma vez, tudo se resolveu e agora já estou bem, não totalmente feliz, porque sei que mais um espinho se criou na nossa amizade. Um espinho cheio de raiva e dissabores envolvendo mais do que duas pessoas mas já pude ouvir de ti um "gosto muito de ti. não te quero perder nunca melhor amiga" e isso fez toda a diferença.
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