Às vezes pergunto-me o porquê de muita coisa, mas esta coisa de agora tem uma particularidade especial: nunca a senti antes. E por nunca ter sentido antes, me deparo com tantas perguntas pela frente, perguntas para as quais não encontro respostas. Quem as tem não me as quis dar, ou eu é que não tive paciência suficiente, nem ultrapassei obstáculos suficientes, para as merecer. E agora para aqui estou, sozinha e desamparada, deparando-me com este mundo irreconhecível. O sol já não brilha da mesma maneira e a chuva e a trovoada predominam deste o dia em que cá estou. Tento escapar com a minha mente para outro lugar, um lugar mais agradável de estar e que me traga calma e serenidade, nem que seja por uns segundos, mas é tudo em vão. Os meus pensamentos não são certos, se o fossem deixariam-me feliz, e o que tento fazer, nunca sai bem, fruto da minha maneira de ser bruta e fria. Não existe qualquer esperança nem vontade neste mundo, e já não encontro quem sorria e ria com a mesma vontade como quando era criança. Infelizmente, acabo por ser influenciada e a minha maneira de agir muda repentinamente, para aqueles que estão de fora a assistir, como se estivesse presa num globo de neve, onde a pessoa em questão faz o que quer, abana e dá mil e uma voltas em mim só para ver cair aquela réstia de sorriso, e fica pasmada a olhar, enquanto interiormente, são lágrimas que caem pelo meu rosto e o significado de sorrir se desvanece. É claro que nunca esquecerei todas as vezes que sorri, fui verdadeiramente feliz nessas ocasiões e todos os meus sorrisos foram sinceros. Quem não gostaria de, uma vez mais, sorrir, com o verdadeiro sentido na palavra implícito, reviver todos os bons momentos e olhar nos olhos de quem gosta e sentir essa felicidade e carinho ser retribuído? Só um louco não aceitaria esta oportunidade. Já o fiz vezes de mais e agora que não encontro ninguém que me retribua esse estado de espírito, sinto-me vazia, se for mesmo esta a palavra que determina aquilo que estou a sentir. Arrancaram de mim a minha felicidade e levaram-na sem se despedirem. Não me deixaram sequer aproveitar os últimos minutos que tinha, talvez porque não me disseram que seria a última vez que ia ser tão feliz. A saudade assume o lugar e acabo por chorar. Custa admitir mas algo estranho invadiu o meu corpo e mente, e já não me deixa ser a mesma pessoa. Cada dia que passa, algo acontece, entristecendo cada parte de mim, cada nervo que fazia de tudo para se aguentar, acaba por se deixar levar pela mágoa. Não sei como cheguei a este ponto, todos os dias desespero por algo melhor e a parte mais peculiar, é que já nem eu sei decidir o que é melhor nem pior. Já não há certo nem errado, nem consigo perceber quem está comigo ou quem está contra mim.
A minha própria confiança acabou por me destruir e quem assumiu o poder foi a solidão. Oh rica solidão, quantas e quantas vezes me deparei contigo e fugi. Fugi sem deixar rasto para que nunca mais me pudesses encontrar, mas mesmo assim, vá-se lá perceber essa tua estranha forma de o fazeres, encontraste-me vezes e vezes sem conta e de cada vez, pior era o sofrimento. Já passei pelas montanhas mais altas e nadei nos oceanos mais profundos e mesmo assim, não encontro nada. Aos poucos e poucos a única esperança que ainda resta neste corpo miserável vai desaparecendo e deixando uma agonia imensa no seu lugar. A vontade de lutar escapa-me por entre as mãos e pergunto "Quem me ajuda? Quem me vem salvar desta escuridão em que me encontro?". Não oiço nada. Uma sala, onde se ouviam os passos das pessoas a correrem em meu salvamento, é agora uma sala vazia. Ouve-se apenas o eco dos meus passos, quando lá passo, a tentar avivar a memória, e relembrar essas mesmas vezes em que recebia tudo e todos de braços abertos. Onde abraçava aqueles que amo, como se não soubesse fazer mais nada. Sinto saudades desse mesmo abraço e dava tudo para o ter novamente. Só ele me poderia ajudar e devolver o meu verdadeiro eu, a este corpo que vai deambulando pela vida.

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